1. Ponto de partida: investir em um país totalmente desconhecido (setembro de 2024)
Quando tivemos o primeiro contato, em setembro de 2024, este casal holandês na casa dos 30 anos morava na Europa e nunca havia pisado no Brasil.
Não falavam português, não tinham contatos locais e não possuíam nenhuma experiência com o mercado imobiliário brasileiro. A única informação que tinham vinha de um colega de trabalho brasileiro, natural de Maceió, que havia comentado, de forma informal, que a cidade oferecia boas oportunidades imobiliárias.
Nenhuma construtora identificada, nenhum projeto definido, nenhuma noção clara de preços, prazos ou de como funciona, na prática, a compra de um imóvel no Brasil. A pergunta central deles era simples e muito honesta:
É realmente possível investir no Brasil à distância, sem assumir riscos desproporcionais?
Eles começaram a pesquisar no Google, encontraram nosso site e agendaram uma primeira conversa pelo nosso calendário online. Naquele momento, ainda não buscavam um imóvel específico, mas sim um ponto de entrada confiável para entender se o projeto fazia sentido ou não.
2. Primeiros contatos: dúvidas, distância e necessidade de referências
Nossas primeiras trocas aconteceram por chamadas, e-mails e WhatsApp. Rapidamente, um padrão conhecido se instalou: as mesmas perguntas voltavam com frequência, apenas formuladas de maneiras diferentes.
“Isso é realmente normal?”
“E se algo der errado?”
“Como podemos ter certeza de que o dinheiro vai chegar ao lugar certo?”
Por trás dessas perguntas estavam medos muito comuns entre investidores europeus:
- comprar à distância, sem nunca ter visitado o país;
- enviar dinheiro para o exterior sem dominar todas as regras;
- e, principalmente, o receio de ser prejudicado simplesmente por não compreender ainda o sistema local.
Essas dúvidas não desaparecem após uma única explicação. Elas surgem em ondas, a cada nova etapa do processo. Nosso papel, portanto, nunca foi “tranquilizar rapidamente”, mas estar presentes ao longo do tempo: responder, reformular, confirmar, explicar de outra forma quando necessário e, acima de tudo, respeitar o tempo das decisões.
A confiança não foi construída por meio de um discurso comercial, mas pela constância e coerência em cada interação.
3. Fase de alinhamento: entender antes de propor qualquer coisa
Antes de qualquer cobrança, proposta de projeto ou busca por apartamentos, dedicamos tempo para estruturar corretamente o projeto. Falamos, claro, de orçamento, mas também de tolerância ao risco, horizonte de investimento, necessidade de controle e expectativas reais.
No caso deles, o objetivo era claro: um investimento puramente financeiro. Eles queriam adquirir um imóvel para fazer o capital crescer no longo prazo, alugá-lo no curto prazo (modelo Airbnb), mantendo a possibilidade de utilizá-lo ocasionalmente para férias no Brasil.
Naquele momento, não havia construtora definida, nem apartamento específico, nem ideia pré-concebida do que “deveriam” comprar. E isso foi positivo: entender antes de escolher evita muitos erros e perda de tempo mais adiante.
4. Busca pelos imóveis: filtrar, comparar e, às vezes, desaconselhar
Com base no perfil deles, iniciamos um trabalho real de pesquisa e triagem. Diversos projetos foram analisados, comparados e, em alguns casos, descartados.
Alguns pareciam atrativos no papel, mas apresentavam riscos ou incoerências em relação aos objetivos do casal. Outros eram interessantes, mas mal posicionados em termos de cronograma ou valorização no longo prazo.
Nosso papel não foi oferecer “o que vende fácil”, mas filtrar, explicar e, quando necessário, desaconselhar. Não comprar também faz parte do processo.
Aos poucos, um primeiro projeto consistente se destacou: um estúdio localizado em Jatiúca, um dos melhores bairros de Maceió, a cerca de sete minutos a pé da praia.
O empreendimento era desenvolvido por uma construtora regional de alto nível, atuante há várias décadas em diferentes capitais do Nordeste, reconhecida pela qualidade da construção, durabilidade dos materiais, cumprimento de prazos e excelente liquidez dos imóveis, tanto para revenda quanto para locação.
A ideia não era maximizar risco ou retorno imediato, mas dar um primeiro passo estruturado e bem acompanhado, para compreender concretamente como funciona um investimento imobiliário no Brasil.
Desde o início, deixamos um ponto muito claro: não temos parcerias exclusivas com construtoras. Cada projeto é avaliado individualmente, e podemos perfeitamente desaconselhar um imóvel se ele não for adequado, mesmo que seja popular ou fácil de vender.
5. Contrato, procuração e realidades jurídicas locais
A análise do contrato marcou um primeiro grande ponto de virada. Muitas cláusulas pareciam incomuns ou até preocupantes para investidores europeus: estrutura de pagamentos indexada ao INCC e ao IGP-M, linguagem jurídica diferente e ausência de algumas garantias consideradas “normais” na Europa.
Nosso papel foi explicar o que é padrão no Brasil, identificar os pontos que exigiam maior atenção e traduzir o contrato para uma linguagem clara e compreensível, sem minimizar as diferenças.
A análise jurídica completa foi realizada pela advogada brasileira Nieilly Gomes. Ela identificou e explicou as cláusulas mais importantes e suas implicações práticas para investidores estrangeiros.
Em seguida, surgiu um elemento-chave: a necessidade de uma procuração. Como não residentes, a construtora exigia que uma pessoa residente no Brasil pudesse assinar o contrato em nome deles.
Esse é exatamente o tipo de situação que, sem apoio local, pode travar um projeto ou levar ao abandono. Implementamos, portanto, uma procuração estritamente limitada e claramente definida, válida apenas para a assinatura do contrato.
Em cada etapa, tudo foi explicado detalhadamente antes de qualquer validação, para que nossos clientes soubessem exatamente o que estavam aceitando e o que não estavam.
6. Banco, fricções operacionais e aprendizado do funcionamento local
Foi na fase bancária que a diferença entre Europa e Brasil ficou mais evidente.
Abertura de conta bancária, trocas com o banco, documentos solicitados várias vezes, prazos nem sempre claros… Tudo avançava, mas sem a previsibilidade à qual investidores europeus estão acostumados.
Em determinado momento, por exemplo, um valor saiu da Europa sem que houvesse confirmação imediata no Brasil. Esse tipo de silêncio, mesmo que temporário, é bastante desconfortável quando se investe à distância. Nossos clientes nos escreviam apenas para confirmar se “estava tudo normal”.
Nessa fase, nosso papel foi muito prático: ligar diariamente para o banco e a construtora, acompanhar os fluxos, cruzar informações e explicar o que realmente estava acontecendo. O principal era diferenciar um problema real de um simples atraso administrativo ou cultural, algo comum no contexto brasileiro.
Paralelamente, alguns pontos com a construtora exigiram esclarecimentos: documentos enviados mais tarde, informações a complementar e solicitações administrativas que podem surpreender quem não conhece os costumes locais. Nada fora do padrão, mas suficientemente ambíguo para gerar insegurança sem acompanhamento.
Mais uma vez, absorvemos essas fricções, intervimos quando necessário e explicamos o que fazia parte dos usos locais. Sem esse suporte contínuo, essa etapa poderia, sozinha, ter levado ao abandono do projeto.
Com acompanhamento, ela permaneceu sob controle e se tornou uma fase importante de aprendizado e ganho de confiança.
7. Assinatura do primeiro imóvel: mudança de postura
Os clientes então puderam assinar o contrato do primeiro imóvel, marcando o fim gradual de um período de incertezas. Eles já compreendiam o ritmo local, os prazos, os mecanismos de pagamento e, principalmente, que o silêncio não significa automaticamente um problema. As trocas continuaram, mas com menos emoção e muito mais racionalidade.
Um ponto essencial: em nenhum momento os pressionamos a comprar. Eles tiveram tempo para duvidar, questionar e desacelerar quando necessário. A decisão sempre foi deles.
Foi exatamente esse ambiente sem pressão, aliado à presença constante, que tornou os próximos passos possíveis.
8. Além da compra: encontros e viagem ao Brasil
Em seguida, os acompanhamos na organização da primeira viagem ao Brasil: orientações práticas, logística e compreensão do ritmo local. Nos encontramos primeiro na Bélgica e depois no Brasil, onde visitamos a obra e outros imóveis juntos, de forma muito concreta.
Essa viagem fortaleceu ainda mais a compreensão do mercado e a confiança nas decisões tomadas.
9. Segundo investimento: uma decisão racional
Em maio de 2025, surgiu uma nova oportunidade: um apartamento de um quarto, desenvolvido por outro ator local muito bem estabelecido em Maceió. Trata-se de uma empresa presente há mais de quarenta anos na cidade, conhecida pela qualidade dos acabamentos, durabilidade dos materiais e profissionalismo, com diversos projetos entregues ou em andamento nos bairros mais valorizados. Nesse momento, o contexto já era completamente diferente.
Eles entendiam o funcionamento do mercado, os prazos habituais e os possíveis imprevistos. O que antes gerava estresse passou a ser familiar. A decisão foi, portanto, tomada de forma mais rápida, muito mais tranquila e, sobretudo, muito mais racional do que no primeiro investimento.
10. Próximos passos
Hoje, a situação deles é totalmente diferente do ponto de partida. Já realizaram dois investimentos, viajaram várias vezes ao Brasil com a família e possuem uma compreensão clara e realista do mercado local. Eles pretendem voltar ao Brasil ainda este ano e estão atualmente em busca de um terceiro projeto imobiliário.
11. La suite
Em setembro de 2026, o estúdio será entregue. Assumiremos então o acompanhamento completo da mobília e preparação do imóvel até sua entrada em operação. Em seguida, cuidaremos de toda a gestão locatícia — desde a criação dos anúncios até a otimização de preços e a comunicação com hóspedes e plataformas.
A acompanhar…
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