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Caso de cliente - Da abertura de uma conta bancária à compra de um apartamento em Maceió: a trajetória de um empresário francês

Como um empresário que já possuía vínculos com o Brasil transformou um simples pedido de abertura de conta bancária em um investimento imobiliário estruturado, apesar de uma sequência de obstáculos administrativos e bancários.
3 de junho de 2026 por
Caso de cliente - Da abertura de uma conta bancária à compra de um apartamento em Maceió: a trajetória de um empresário francês
Jason Aerts

O ponto de partida: uma conta bancária, e muito mais

Quando nosso cliente entrou em contato conosco pela primeira vez, em janeiro de 2025, seu pedido era claro e bastante específico: abrir uma conta bancária no Brasil. Ele já possuía CPF, havia passado três meses no Brasil naquele ano e tinha um objetivo bem definido: receber receitas profissionais provenientes da América Latina, formar uma reserva financeira em reais para aproveitar a taxa de câmbio favorável e, talvez no futuro, criar uma estrutura empresarial local.

À primeira vista, nada parecia muito complexo.

Mas a realidade, como acontece com frequência nesse tipo de projeto, mostrou-se muito mais rica, e também mais complicada.

Um perfil atípico: empreendedor, conectado ao Brasil e com visão estratégica

Nosso cliente é um europeu residente na França. Atua no setor B2B com sócios e clientes no Brasil. Não fala português. Já esteve diversas vezes no país, conhece a cultura e compreende intuitivamente as oportunidades que o mercado brasileiro oferece. Ele compara Maceió com outros mercados que acompanha em diferentes países, com o rigor de um investidor acostumado a analisar cuidadosamente suas opções.

Esse perfil, conectado ao Brasil, mas sem uma presença legal formal, com ambições profissionais locais e uma verdadeira visão de longo prazo, é exatamente o tipo de situação em que um acompanhamento estruturado faz toda a diferença.

A abertura da conta: entre o Santander e a realidade brasileira

O processo começou em julho de 2025 com o Santander, que na época era um dos poucos bancos que aceitavam estrangeiros sem residência no Brasil.

Rapidamente surgiram os primeiros obstáculos: documentos para assinar em português sem tradução, dúvidas sobre o que deveria ou não ser preenchido, um sistema de reconhecimento facial que não funcionava no aplicativo, senhas ausentes e orientações contraditórias fornecidas pelo banco. Nosso cliente deixou claro diversas vezes que não tinha disponibilidade para passar horas ao telefone com um atendimento brasileiro.

Nesse momento, nossa atuação foi bastante prática. Entramos em contato com a agência em seu nome, fomos pessoalmente ao Santander em Maceió para ativar seu acesso bancário online, retiramos seu cartão e organizamos o envio, além de repassar em tempo real todas as informações necessárias. No final de setembro de 2025, sua conta já estava ativa e acessível pelo navegador. Algumas semanas depois, o aplicativo também passou a funcionar normalmente.

Paralelamente, havíamos identificado uma alternativa melhor — o Banco Rendimento, sem tarifa de abertura e sem mensalidade, e a apresentamos para que ele pudesse tomar uma decisão informada. Ele preferiu concluir o processo com o Santander, e respeitamos essa escolha, acompanhando-o até o final.

A questão da empresa brasileira: uma resposta honesta

Já em julho de 2025, nosso cliente perguntou sobre a possibilidade de abrir uma microempresa no Brasil, em um modelo enquadrado no Simples Nacional para faturar serviços prestados localmente. Ele tinha sócios brasileiros, conhecia o mercado e a ideia fazia sentido.

Analisamos a questão com seriedade. Nossa resposta foi direta: na ausência de um RNE (Registro Nacional de Estrangeiro) ou de residência fiscal no Brasil, os contadores brasileiros quase sempre se recusam a abrir uma empresa para estrangeiros. O motivo é simples: eles assumem parte da responsabilidade caso o cliente venha a descumprir obrigações perante a Receita Federal. Entramos em contato com diversos contadores. Nenhum aceitou assumir o processo.

Em vez de prometer algo que não poderíamos entregar, explicamos as alternativas viáveis. Um investimento imobiliário de R$ 700.000 possibilitaria a obtenção de um visto permanente e, consequentemente, de um RNE, tornando a abertura de empresa muito mais acessível posteriormente. O caminho existia.​

Da conta bancária ao apartamento: como a decisão foi construída

A partir de agosto de 2025, a conversa começou a mudar de rumo. Nosso cliente passou a analisar imóveis em nosso site, fazendo perguntas detalhadas sobre construtoras, bairros, condições de pagamento e prazos de entrega. Comparou diversos empreendimentos por conta própria, enviou capturas de tela e pediu esclarecimentos adicionais.

Não houve pressão para vender. Respondemos a cada pergunta com precisão, inclusive desaconselhando determinadas regiões, como a Praia do Sobral, próxima a uma área industrial petroquímica, ou empreendimentos que não se adequavam ao seu objetivo de revenda no curto prazo.

Em outubro de 2025, após várias semanas de análise, ele tomou sua decisão: um apartamento de um quarto em Jatiúca. Orçamento: € 99.000. Entrega prevista para outubro de 2027.

Seu raciocínio era o de um investidor. O objetivo não era morar no imóvel, mas revendê-lo na entrega para maximizar a valorização. Ele compreendeu perfeitamente a lógica do mercado brasileiro: comprar na planta por um valor mais baixo, aproveitar a valorização durante a construção e vender no momento da entrega. Essa estratégia passou a fazer parte do seu plano de investimento.

A procuração: um processo cheio de obstáculos

Como investidor não residente, nosso cliente precisava nomear uma pessoa no Brasil para assinar o contrato de compra em seu nome. Trata-se de uma exigência legal. Assumimos essa função por meio de uma procuração estritamente limitada a esse ato.

A elaboração da procuração levou mais de um mês, por motivos que ilustram bem a realidade brasileira.

O cartório com o qual trabalhávamos habitualmente havia acabado de perder seu tradutor juramentado de francês. Foi necessário encontrar outro profissional capaz de realizar a validação de identidade à distância em francês ou espanhol. A videoconferência foi marcada e cancelada três vezes devido à falta de pontualidade do escritório. Nosso cliente, que precisava reservar horários específicos em sua agenda, acabou esperando diversas vezes sem qualquer atualização.

Em cada etapa, assumimos a gestão da situação: cobramos o cartório, conseguimos novos horários e mantivemos nosso cliente informado sem criar alarmismo. A chamada finalmente aconteceu em meados de novembro de 2025. Nosso cliente respondeu em uma mistura improvisada de línguas latinas, e isso foi suficiente.

No entanto, um segundo contato foi necessário no dia seguinte para confirmar formalmente seu consentimento para assinatura. Novo atraso. Novo ciclo de agendamento.

Em seguida, uma cláusula da procuração gerou preocupação: o documento incluía uma autorização de venda que nosso cliente não desejava conceder. Solicitamos a alteração, e o cartório corrigiu o texto.

A procuração foi finalmente emitida no início de dezembro de 2025. O contrato de compra foi assinado logo depois.​

Uma divergência no CPF: um obstáculo inesperado

Enquanto isso, surgiu outro problema. O CPF do nosso cliente, emitido alguns anos antes no Brasil, estava registrado com um nome incompleto, enquanto seu passaporte apresentava seu nome completo, incluindo o segundo prenome. Essa divergência foi suficiente para que o cartório suspendesse o processo.

Esse é exatamente o tipo de detalhe que passa despercebido no início, mas que pode bloquear toda uma operação.

Assumimos diretamente o pedido de correção junto à Receita Federal. Elaboramos o e-mail em português, com todos os documentos necessários anexados. Em novembro de 2025, o CPF foi corrigido para refletir seu nome completo e o processo pôde continuar.

A transferência do sinal: um banco intermediário invisível

Após a assinatura do contrato, chegou o momento da transferência do sinal: cerca de € 19.000, equivalentes a R$ 117.640 na época.

Nosso cliente realizou a transferência por meio de seu banco europeu em dezembro de 2025. O dinheiro saiu da conta. A incorporadora não recebeu nada. Nem em dezembro, nem em janeiro. Durante semanas, a transferência parecia ter desaparecido.

Investigamos a situação. Analisando os e-mails de acompanhamento bancário, identificamos o banco intermediário que estava retendo os recursos: a StoneX. Entramos em contato diretamente com a instituição. Eles confirmaram que os valores estavam sob sua custódia, mas aguardavam documentação complementar da incorporadora para liberar os recursos. A incorporadora não havia enviado essa documentação porque sequer sabia onde o dinheiro estava.

Colocamos as duas partes em contato e fornecemos os dados da pessoa responsável na StoneX. A incorporadora enviou a documentação necessária. O valor foi finalmente liberado no final de janeiro de 2026. Houve apenas uma diferença de R$ 447 referente a tarifas bancárias, regularizada em poucos segundos por meio de PIX a partir da conta Santander do cliente.

As parcelas mensais: um erro de dados corrigido rapidamente

Os primeiros pagamentos mensais também exigiram um pequeno ajuste. Nosso cliente tentou pagar a primeira parcela por meio de uma transferência manual para a conta da incorporadora, mas os dados bancários não correspondiam exatamente ao formato esperado pelo banco. O valor foi devolvido automaticamente sem que ele percebesse.

Identificamos o problema quando a incorporadora informou que não havia recebido o pagamento. Explicamos como efetuar o pagamento por boleto diretamente pelo aplicativo do Santander. Esse sistema elimina erros de digitação e garante que os dados e o valor sejam preenchidos automaticamente. Desde então, o processo tem ocorrido sem dificuldades.

Onde estamos hoje

Hoje, nosso cliente é proprietário de um apartamento de um quarto no bairro de Jatiúca, em Maceió. Ele paga suas parcelas mensais por meio de sua conta Santander brasileira. O sinal e os primeiros pagamentos foram realizados corretamente.

Em maio de 2026, enviamos a ele um vídeo atualizado da obra. A construção segue avançando bem. A entrega continua prevista para outubro de 2027.

Ele já está olhando para o próximo passo: novas oportunidades na região e um interesse crescente em criar raízes no Brasil a longo prazo. Já não é alguém que apenas considera investir no Brasil. É alguém que já faz parte desse mercado.

O que este caso demonstra

Este não era o caso de um cliente indeciso. Ele tinha uma visão clara, um perfil sério de investidor e fazia as perguntas certas. O que exigiu um acompanhamento estruturado foi a realidade operacional do Brasil: bancos lentos ou imprevisíveis, cartórios pouco pontuais, uma administração fiscal capaz de bloquear um processo por causa de um segundo prenome ausente e um banco intermediário desconhecido retendo uma transferência internacional durante mais de um mês.

Em cada etapa, nosso papel não foi oferecer tranquilidade vazia, mas resolver problemas concretos: ligar para o banco, ir à agência, encontrar o cartório adequado, identificar o banco intermediário, redigir e-mails em português, ajustar a procuração e explicar como realizar pagamentos por boleto.

Muitas vezes isso é invisível para quem está na Europa. Na prática, é exatamente isso que faz a diferença.

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